A Batata Dôce de Aljezur

 

 
A BATATA DÔCE DE ALJEZUR
 
Abaixo da fronteira do Alentejo com o Algarve, onde o rio ( "ode", em bérbere ) Ceixe dá o nome a uma pequena localidade que se debruça sobre o mesmo e abre um anfiteatro sobre o mar com uma praia icónica ( Odeceixe), Aljezur situa-se no interior do litoral que, quando encontra o mar, descobre-nos algumas das melhores praias da Costa Vicentina ( Monte Clérigo, Amoreira, entre outras ). Localidade pequena, contudo ancestral ( era fronteira norte do tribo dos Cónios, anteriores à ocupação romana, e manteve importância relativa de marco territorial que o seu foral e castelo medieval comprova ), tem uma vida própria muito característica, mantendo-se como sede de concelho.
Gastronómicamente é  terra dos percebes e de batata dôce. A sua batata dôce, que pede encómios, criou uma imagem tão assertiva que hoje está defendida como produto de indicação geográfica protegida, tendo o seu festival anual no mês de Dezembro ( mas tenho de reconhecer que nas Caldas da Raínha a batata dôce tambèm é de truz, onde, na sua praça ao ar livre - provavelmente a praça mais bonita de Portugal, se não compararmos com o mercado coberto dos Lavradores no Funchal - se pode comprar batata dôce que assou lentamente toda a noite em forno de lenha ).
É com batata dôce que hoje vos vou abrir o apetite. Não na versão adocicada ( filhós, bôlo, pudim ). Mas com três receitas onde compõe ligações perfeitas, acompanhando frutos que o mar nos dá : uma com sabôr mais a pender para o Barlavento, duas com um trago mais alentejano.
 
CARAPAUS ALIMADOS COM BATATA DÔCE

 Arranjam-se uns quantos carapaus, tirando-se-lhes a cabeça e as tripas. Deixam-se temperados de sal de véspera. No dia seguinte, lavam-se e podem mesmo deixar-se algum tempo de molho em água, para perderem o execesso de sal. Cozem-se em água a ferver durante cerca de 5 minutos. Tiram-se para fora e deixam-se arrefecer até que seja possível, com as mãos, retirar-lhes a pele.
Na versão mais tradicional, são servidos ainda quentes e temperados no prato com azeite e vinagre ou azeite e limão. Na versão de Aljezur são servidos frios com rodelas de cebola, alho e salsa picados por cima, já temperados de azeite e sumo de limão, e acompanhados com batata doce cozida às rodelas.
 

CHOCOS COM BATATA DÔCE E ERVILHAS
Numa caçarola, com fogo baixo, levar a branquear em azeite cebola picada, tomate picado e pimento cortado em tiras finas. Juntar os chocos  ( se forem grandes, cortados em cubos pequenos ).
Quando os chocos estiverem quase cozidos - atenção que estão prontos em pouco tempo - juntam-se as ervilhas e, pouco depois, as batatas dôces cortadas também em cubos.
Se necessário juntar um pouco de água. Deixe engrossar o môlho.
Servir acompanhado por um vinho branco maduro.

SARGOS ESCALFADOS COM BATATA DÔCE
Eviscerar e retirar as escamas aos sargos ( um por pessoa ) e temperar com sal .
Numa frigideira grande, alourar em azeite cebola às rodelas, louro, alhos esmagados e duas bagas de piri-piri, sem deixar queimar. Juntar um pouco de vinho branco sêco.
Escalfar os sargos inteiros e servir com batatas dôces cozidas cortadas às rodelas grossas.

 

publicado por Maurício Barra às 07:22 | comentar | favorito